CDU acusa PS de ser contra recuperação financeira da Câmara de Évora

A CDU acusou esta segunda-feira o PS de ser contra a recuperação financeira da Câmara de Évora e o desenvolvimento do concelho, por ter votado contra a prestação de contas, mas os socialistas justificaram que o documento apresenta lacunas.

Em comunicado, a coordenadora de Évora da CDU afirmou que o voto contra do PS traduz-se “na tentativa de oposição à recuperação económica e financeira da câmara e ao investimento e desenvolvimento de projetos, obras, atividades e ações”.

Esta “tem sido a sua postura nos diferentes órgãos do município ao longo do presente mandato”, lamentou.

Segundo a CDU, esta posição dos socialistas deixa “o alerta e a responsabilização sobre o que poderá vir a ser a postura do PS aquando da próxima votação das Grandes Opções do Plano e do Orçamento para 2025, ano de eleições autárquicas”.

Contactado pela agência Lusa, o deputado municipal eleito pelo PS Gonçalo Fernandes Costa explicou que os socialistas votaram contra por considerarem que as “insuficiência, lacunas e reservas que foram identificadas no parecer da revisora oficial de contas não permitiam, de forma consciente, viabilizar esse documento”.

Além disso, frisou, a votação esteve prevista para abril, mas foi adiada, a pedido do presidente do município, “com o compromisso de serem apresentados documentos e explicações adicionais que permitissem colmatar as insuficiências identificadas”.

“Para espanto da grande maioria dos eleitos, nada de adicional foi apresentado, nem qualquer esclarecimento adicional prestado, apesar inclusivamente das interpelações efetuadas”, pelo que “afinal mais não passou do que uma manobra de dilação”, referiu.

Gonçalo Fernandes Costa defendeu que “a gestão autárquica tem vindo a degradar-se ao longo dos últimos exercícios contabilísticos”, o que atribuiu em parte “à saída de vários profissionais qualificados” do município.

No comunicado, a coordenadora de Évora da CDU sublinhou que o município tem em curso um Plano de Saneamento Financeiro, que “já motivou a redução da dívida herdada [ao PS] em 47% relativamente ao que era em 2013”.

“Este é claramente o período de maior investimento e dinamismo a que se assistiu em Évora no século XXI”, afiançou, enumerando obras e projetos concretizados pela gestão CDU da autarquia.

A assembleia municipal chumbou a prestação de contas referente a 2023, com 13 votos contra do PS, 10 abstenções (uma do Bloco de Esquerda, três do Movimento Cuidar de Évora, cinco da coligação PSD/CDS/PPM/MPT e uma do Chega) e nove votos a favor (sete da CDU, dois de movimentos de cidadãos).

Já em reunião de câmara, em abril, o documento tinha sido aprovado com os votos a favor da CDU, a abstenção do PSD e do Movimento Cuidar de Évora e o voto contra do PS.

Carlos Pinto de Sá cumpre o terceiro e último mandato na presidência da Câmara de Évora, cujo executivo é composto por dois eleitos da CDU, dois do PS, dois do PSD e um do Movimento Cuidar de Évora.