Ucrânia: SPA cede imóvel para acolher refugiados em Reguengos de Monsaraz

A Casa António Gião, em Reguengos de Monsaraz, vai ser cedida gratuitamente pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) à câmara municipal para o acolhimento de refugiados da Ucrânia.

Contactada pela agência Lusa, fonte do município indicou, na passada sexta-feira, que seis refugiados ucranianos, três mulheres e três crianças, vão chegar a Reguengos de Monsaraz “na próxima semana ou na seguinte”, através do Alto Comissariado para as Migrações (ACM).

Segundo a autarquia, o contrato de comodato que prevê a cedência da Casa António Gião, já assinado entre a Câmara de Reguengos de Monsaraz e a SPA, tem a duração de um ano e poderá ser renovado após novo acordo entre as duas entidades.

Segundo o acordo, a SPA cede o imóvel, enquanto o município “fica responsável pelas despesas de utilização e por equipar a casa com os materiais e bens essenciais para o alojamento dos refugiados”, disse a autarquia, em comunicado.

Situada no centro da cidade alentejana, a Casa António Gião é um palacete onde viveu o engenheiro físico, meteorologista e professor António Gião e que foi doado à SPA, em 1981, pela viúva Sophie Spira Gião.

Nascido em Reguengos de Monsaraz, no ano de 1906, António Gião, que faleceu em 1969, foi um engenheiro físico e meteorologista no Instituto Meteorológico Real da Bélgica e no Ofício Nacional Meteorológico de Paris.

Também foi professor na Faculdade de Ciências de Lisboa, nas universidades de Bergen (Noruega), Dublin (Irlanda), Florença e Génova (Itália) e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (Estados Unidos da América).

António Gião trocava correspondência com Albert Einstein, o autor da teoria da relatividade, e chegou-lhe a propor uma teoria das forças fundamentais, encontrando-se essas cartas no Arquivo Einstein, na Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, assinalou.

De acordo com a informação que consta na página de Internet da SPA, a Casa António Gião foi doada com a intenção de “honrar e perpetuar a sua memória e para que a casa ficasse à disposição de escritores, cientistas e artistas como um centro de convívio, de trabalho e de realizações culturais e científicas”.