Trabalhadores voltam a exigir fim da discriminação laboral no complexo de Sines

Os trabalhadores da manutenção do Complexo Industrial e Portuário de Sines voltaram a exigir esta terça-feira o “estabelecimento do valor mínimo da hora de trabalho, nos 21 euros”, o fim da discriminação laboral e da “ultra-precariedade”.

Num plenário, que se realizou na portaria principal da refinaria da Petrogal, em Sines, e que contou com a presença de cerca de 300 trabalhadores do setor metalúrgico, foi apresentado o caderno reivindicativo, aprovado em 19 de fevereiro, a exigir melhores condições laborais no complexo de Sines.

“Voltamos a reclamar a subida do valor/hora, já que aqui na refinaria [Petrogal] há muitas empresas espanholas que trazem mão de obra espanhola com preços muito superiores aos trabalhadores nacionais e locais e o que queremos é igualdade de direitos”, disse à agência o dirigente Lusa Pedro Carvalho, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul (SITE Sul).

No caderno reivindicativo, os trabalhadores exigem que seja dada “prioridade à contratação local, um valor mínimo para a hora, que se deve fixar nos 21 euros, a incorporação dos trabalhadores precários nos quadros das empresas quando estes desempenham funções permanentes e melhorias ao nível das condições de higiene e segurança no trabalho”.

“Quando há trabalhadores que exercem a mesma função e por não serem nacionais, neste caso espanhóis, a receberem este valor, por que não haver condições para pagar o mesmo aos portugueses quando temos empresas que lucram 500 milhões de euros”, afirmou.

De acordo com o dirigente sindical, “é urgente acabar com a ultra-precariedade” que existe no setor metalúrgico do Complexo Industrial e Portuário de Sines que “engloba perto de cinco mil trabalhadores” que prestam serviço “em empreitadas e trabalhos de manutenção”.

O sindicalista diz que “há um grande número de trabalhadores” neste complexo, no litoral alentejano, “sem qualquer tipo de direitos” e acusa a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) de “não agir em conformidade e atuar”.

“Os trabalhadores chegaram a um ponto em que estão mais do que insatisfeitos e vão partir para a luta. Nas próximas semanas vamos enviar a proposta reivindicativa para as empresas e se não for atendida vamos para a rua, para a porta das empresas desenvolver a nossa luta”, acrescentou.

O porta-voz dos trabalhadores admite a realização de “manifestações, greves, mobilização de trabalhadores nas portarias das empresas” para “demonstrarem a sua insatisfação e descontentamento”.

No final do encontro, o SITE Sul voltou a convocar novo plenário para a penúltima semana de março na portaria da refinaria de Sines da Petrogal para discutir com os trabalhadores “o resultado dos contactos efetuados com as principais empresas” do Complexo Industrial e Portuário de Sines.