Reabilitação de 2,5M€ de antiga sala de cinema em Évora arranca em fevereiro

A requalificação do Salão Central Eborense, antiga sala de cinema no “coração” do centro histórico de Évora fechada há cerca de 30 anos, deve arrancar em fevereiro, num investimento a rondar os 2,5 milhões de euros.

“O Tribunal de Contas já aprovou a obra e, agora, se tudo correr como estamos à espera, a obra iniciar-se-á durante o mês de fevereiro” ou “o mais tardar no início de março” revelou à agência Lusa o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá.

O autarca lembrou que o Salão Central Eborense, que esteve “devoluto e em degradação” durante “quase 30 anos”, é “um espaço que atravessou e marcou gerações”.

“Está localizado no ‘coração’ do centro histórico e é um espaço icónico. A recuperação de um espaço destes e a sua devolução à atividade e à dinâmica da cidade é fundamental, por um lado, e para os eborenses que por ali passaram, ao longo dos anos”, por outro lado, disse.

Segundo Pinto de Sá, quando as obras estiverem terminadas, será “um marco histórico” o salão “voltar a abrir portas”, desta vez como espaço polivalente, vocacionado para a cultura, mas também para “outras áreas”, nomeadamente “empresariais ou desportivas”, e preparado para acolher conferências, encontros e diversos eventos.

“Terá características que o apontam muito no sentido da cultura, mas poderá ter outro tipo de utilizações. Vai ser uma sala aberta, com bancadas retráteis que vão poder ser encostadas para libertar a área ou colocadas para se ter um género de anfiteatro com palco”, assinalou.

A obra de requalificação do Salão Central Eborense foi adjudicada em setembro do ano passado à empresa TPS – Teixeira, Pinto e Soares e, em comunicado divulgou hoje, a Câmara de Évora apontou o início da empreitada para a “segunda quinzena do próximo mês”.

Na segunda metade de fevereiro, pode ler-se na nota de imprensa, “começará a ser montado o estaleiro da obra que irá devolver à cidade um dos seus mais importantes e icónicos equipamentos culturais”.

Os trabalhos estão previstos “desenrolar-se durante o próximo ano e meio”, num investimento que “ronda os 2,5 milhões de euros”, com apoios comunitários, integrado no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU) de Évora.

“O que está no contrato é o prazo máximo para a obra. Aquilo que nós gostaríamos, se o empreiteiro tiver condições para isso, é que esse prazo pudesse ser reduzido”, pois, “é uma obra que se aguarda há décadas, portanto, quanto mais cedo tivermos o Salão Central disponível melhor”, realçou à Lusa Carlos Pinto de Sá.

Por se tratar de “uma obra de grande dimensão”, alertou a autarquia, os trabalhos vão implicar “necessariamente alguns constrangimentos” ao nível da circulação automóvel e do estacionamento na zona envolvente, pelo que, para “minimizar os efeitos negativos” e após “consulta às partes interessadas”, foi preparado “um plano de recurso”.

“Naquela zona junto ao salão não vai ser possível circular”, mas, como existem ali instituições, como uma creche, “temos estado a tentar encontrar alternativas e a reunir com pais e as pessoas que lá trabalham”, afirmou o autarca, acrescentando que “o estacionamento também vai ser mais reduzido” naquela área e que o município tem estado a “falar com os próprios moradores”, que vão ter de “encontrar circuitos alternativos”.

O centenário Salão Central Eborense foi mandado construir, em 1916, pelo empresário José Augusto Anes como espaço de cultura e variedades e, ao longo dos anos, passou pela mão de diversos proprietários, sempre com a predominância da exibição de cinema, até que encerrou no final dos anos 80, tendo sido adquirido pela câmara em 1996.