Museu da Escrita do Sudoeste em Almodôvar vai ser ampliado

Foto: CM Almodôvar

O Museu da Escrita do Sudoeste, em Almodôvar, vai ser ampliado num investimento de 250 mil euros, que também prevê a criação de um centro interpretativo do sítio arqueológico de Mesas do Castelinho situado naquele concelho alentejano.

O projeto pretende “valorizar” o museu e o sítio, que são dois espaços “importantes” para “preservar o património e a história” do concelho e “potenciar” o turismo, disse à agência Lusa António Bota, presidente da Câmara de Almodôvar.

O município está a elaborar o projeto e a preparar a respetiva candidatura a financiamento por fundos comunitários para ser apresentada “até final deste ano”, disse o autarca, referindo que, “se tudo correr bem”, as obras de ampliação do museu e a criação do centro interpretativo do sítio deverão começar “no final de 2020 ou início de 2021”.

Segundo António Bota, o museu, que está situado no centro histórico da vila de Almodôvar e tem duas salas de exposições, vai ser ampliado a partir do aproveitamento de uma área exterior adjacente ao edifício e que atualmente é ocupada por um lago, que será eliminado.

Com a ampliação, o museu vai continuar a ter duas salas de exposições, mas uma delas “ficará quase com o dobro do espaço atual”, e ganhará uma terceira sala multiusos para realização de atividades pedagógicas e de formação para “dar a conhecer melhor” a Escrita do Sudoeste.

“Se queremos valorizar o património e a história, só visitar o museu para ver peças em exposição não chega, é necessário também desenvolver atividades pedagógicas para que os visitantes possam saber mais sobre a Escrita do Sudoeste”, defendeu.

Já o centro interpretativo vai ser instalado no sítio arqueológico de Mesas do Castelinho, que está situado perto da aldeia de Santa Clara-a-Nova e foi um amplo povoado fortificado da II Idade do Ferro do Sul e que terá sido fundado por volta dos séculos IV ou V a.C.

Atualmente, no sítio, classificado como Imóvel de Interesse Público e gerido pelo município, no âmbito de um protocolo assinado com a Direção Regional de Cultura do Alentejo, “não há informações que ajudem os visitantes a perceber o que estão a ver”, disse.

Através do recurso a novas tecnologias, o centro interpretativo vai fornecer informações que “ajudem os visitantes a interpretar e a perceber o que estão a ver” e “permitir visitas ao sítio sem a necessidade de estar lá alguém presente” para os receber, explicou o autarca.

Criado pelo município no edifício do antigo cineteatro municipal, o museu abriu em outubro de 2007 para expor alguns dos mais importantes achados arqueológicos epigrafados com carateres da Escrita do Sudoeste, a mais antiga escrita da Península Ibérica.

Trata-se sobretudo de estelas funerárias, ou seja, colunas tumulares em xisto, nas quais os antigos faziam inscrições e eram colocadas ao alto nas sepulturas.

Atualmente, o museu tem em exposição, além de um signatário e peças de cerâmica, metais e adornos, oito originais e oito réplicas de 16 estelas achadas no Baixo Alentejo e no Algarve, que fazem parte das 75 descobertas em Portugal e de um total de 90 conhecidas na Península Ibérica.

A Escrita do Sudoeste ou Tartéssica, da I Idade do Ferro no Sul de Espanha e Portugal, foi desenvolvida pelos Tartessos, o nome pelo qual os gregos conheciam a primeira civilização do Ocidente, que se terá desenvolvido nas zonas das atuais regiões da Andaluzia espanhola, Baixo Alentejo e Algarve.

Segundo o arqueólogo e coordenador científico do museu, Amílcar Guerra, a escrita dos Tartessos, que tiveram influências culturais de Egípcios e Fenícios, “é distinta das dos povos vizinhos, complexa e permanece indecifrável até à atualidade”.