Mais de 12 mil residentes deixaram distrito de Portalegre em menos de uma década

Foto: Município de Portalegre

O distrito de Portalegre perdeu mais de 12.200 habitantes desde os Censos de 2011, registando no ano passado uma população média de 106.271 residentes, segundo o portal de análise de dados estatísticos EyeData.

Atualmente, após suspenso o recenseamento eleitoral e quando decorre um período de reclamações para as legislativas de 06 de outubro, há 96.425 eleitores inscritos no distrito, menos 4.764 do que os 101.189 registados no dia das legislativas de 2015, segundo dados do Ministério da Administração Interna.

Perante a falta de população, Portalegre é o círculo eleitoral do país que menos deputados elege, apenas dois – um do PS e outro do PSD nas legislativas de 2015.

Há quatro anos, o PS obteve neste círculo eleitoral o seu melhor resultado do país, com 42,43% dos votos (contra 32,38% a nível nacional), enquanto a coligação PSD/CDS-PP se ficou pelos 27,63% (38,54% no país).

A CDU registou 12,18% dos votos no distrito, onde a coligação obteve, como é habitual no Alentejo, uma votação mais expressiva do que a nível nacional (8,27%).

Num dos distritos menos abstencionistas em 2015 (41,69%), o PS ganhou em 14 dos 15 concelhos, apenas perdendo no ‘bastião comunista’ de Avis.

À falta de peso político do círculo eleitoral junta-se um tecido empresarial débil, sendo que o ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem era de 909,28 euros em 2016, contra a média nacional de 1.108,56 euros.

Sem uma autoestrada que sirva Portalegre e com uma estação ferroviária a cerca de 12 quilómetros da sua zona industrial, a cidade, que em tempos foi conhecida como a “cidade operária” do Alentejo, depara-se com um tecido empresarial débil.

Em 2015, o poder de compra ‘per capita’ situava-se nos 87,23 (para uma referência nacional de 100,22) e, em 2011, 23,83% da população com mais de 15 anos possuía pelo menos o ensino secundário (contra os 30,53% nacionais).

Em 2018, 6,67% da população residente entre 15 e 64 anos correspondia a desempregados inscritos, enquanto o valor nacional era de 5,54%.

As instituições de solidariedade social e o setor agrícola ocupam um lugar de relevo na empregabilidade, mas as câmaras mantêm-se também como umas das principais entidades empregadoras, como indica o facto de o distrito, em 2017, ter 23,43 trabalhadores da administração pública local por mil habitantes (no país o número era de 11,62).

Num cenário de perda de população e falta de investimento, há também os denominados ‘oásis’ empresariais, nomeadamente em Campo Maior, onde está instalada a empresa Delta Cafés.

O ‘cluster’ aeronáutico que está a ser desenvolvido no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor ou a monumentalidade da cidade raiana de Elvas, com as suas fortificações classificadas como Património Mundial pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), são ‘balões de esperança’ que surgiram recentemente para atrair investidores e moradores.

O setor do turismo é também sistematicamente apontado como uma possível âncora da região, procurada por turistas pela sua gastronomia, vinhos, unidades de turismo rural e festivais de música (Crato e Marvão).