Festival Islâmico celebra herança árabe de Mértola

Músicas, danças e sabores de raízes árabes e portuguesas voltam a Mértola, entre quinta-feira e domingo, durante o 10.º Festival Islâmico, para a vila alentejana celebrar a herança islâmica dos séculos XI e XII.

Promovido pela Câmara Municipal de Mértola o festival bienal “celebra a herança islâmica” e as ligações com o Norte de África e revive as vivências da vila naqueles séculos, quando se chamava “Martulah” e era capital de um reino islâmico e um importante porto comercial nas rotas do Mediterrâneo.

Segundo o município, um dos principais atrativos do festival, o mercado de rua marroquino, o “souk”, espalhado pelas ruas estreitas e íngremes do labiríntico centro histórico de Mértola, que vão estar cobertas com tecidos, a lembrar as medinas de Marrocos, abre na quinta-feira às 10:00.

No “souk”, artesãos e comerciantes de vários países mediterrânicos, como Marrocos, Egito, Argélia, Espanha e Portugal, vão mostrar as suas artes ou vender produtos, como artesanato, roupas, candeeiros, tapetes, bijutaria, especiarias, chás, frutos secos, bolos e gastronomia tradicional.

O centro histórico de Mértola vai ser o “coração” e o palco da maioria das iniciativas do festival, como animações de rua, conferências e várias oficinais, como as de dança oriental, cante alentejano e viola campaniça.

No cento histórico também vai haver pátios com atividades promovidas por várias entidades, nomeadamente o Pátio das Artes e Ofícios de influência árabe, o Pátio da Palmeirinha, dedicado à cosmética, e o Pátio da Casa dos Azulejos, onde irão decorrer oficinas de ‘henna’, ritual do chá, instrumentos de corda, extração de óleos essenciais e percussão.

O festival deste ano vai também promover sessões de contos em vários locais e mostrar três exposições, nomeadamente “Dark Sky Alqueva Mértola – Onde a escuridão se torna mágica”, com fotografias de Miguel Claro, na galeria do castelo de Mértola, “Instrumentos de Corda do Médio Oriente, do Al-Andaluz e do Magreb”, no Centro Cultural Dar Ziryab, e “Al borde de un poema”, com fotografias de Jesus Botaro, na Casa dos Azulejos.

A “banda sonora” do festival, numa mistura de sons de raízes árabes e lusas, vai incluir “pequenos concertos” de O Gajo, Udjat, Cantadores do Alentejo e Coro Ismaili de Portugal nas tardes de sexta-feira, sábado e domingo, no Largo da Misericórdia, na Praça Luís de Camões e Cineteatro Marques Duque.

A programação musical do festival vai incluir concertos, nas noites de quinta-feira, sexta-feira e sábado, na Praça Luís de Camões e no Cais do Guadiana.

A Praça Luís de Camões vai ser o palco dos concertos dos portugueses Ricardo Ribeiro e Ganhões de Castro Verde, na quinta-feira, O Gajo, na sexta-feira, e Três Bairros e Sebastião Antunes, no sábado, a partir das 22:30.

Já o Cais do Guadiana vai ser o palco dos concertos do projeto Omiri e Belectronic (Portugal), na quinta-feira, do Speed Caravan Trio (França, Algéria e Tunísia), do projeto 47 Soul (Jordânia e Palestina) e Belectronic, na sexta-feira, do músico Bombino (Nigéria), do dúo DuOud (Argélia e Tunísia) e do DJ Le Mood Du Mahmood (França), no sábado, a partir das 00:00.

No domingo, a partir das 18:30, o Largo Vasco da Gama irá receber o espetáculo de encerramento do 10.º Festival Islâmico, que incluirá atuações de quatro grupos corais alentejanos, das Adufeiras do Rancho Folclórico de Monsanto – Idanha-a-Nova e da Companhia Al Yamal.