Évora reduz quase 7% da dívida e obtém resultados operacionais positivos em 2022

A Câmara de Évora (CDU) obteve em 2022 uma redução da dívida de quase 7%, para 53 milhões de euros, e resultados operacionais positivos, pela segunda vez em 10 anos, revelou o presidente do município.

Em declarações à agência Lusa, o autarca de Évora, Carlos Pinto de Sá, eleito pela CDU, indicou que, no ano passado, a redução da dívida municipal se cifrou em quase quatro milhões de euros, o que corresponde a um decréscimo de perto de 7%.

No final de 2022, adiantou, esta autarquia alentejana registava uma dívida global na ordem dos 53 milhões de euros.

Este é um dos dados económicos da proposta de prestação de contas do município de 2022, já aprovada em reunião de câmara com os votos a favor dos eleitos da CDU e do Movimento Cuidar de Évora e a abstenção dos vereadores do PS e do PSD.

“Do ponto de vista económico, é, para o ano que tivemos, uma excelente prestação, quer do município, quer no concelho, que, aliás, registou índices económicos superiores à média nacional”, sublinhou o presidente do município.

Pinto de Sá destacou que os resultados operacionais positivos (2,7 milhões de euros) “acontecem, desde 2013, pela segunda vez” e que os resultados líquidos, ainda que negativos, diminuíram “substancialmente, de quatro milhões para um milhão e meio”.

“Em 2013, os resultados operacionais eram negativos em mais de 11 milhões de euros e os resultados líquidos também eram negativos em mais de 12 milhões”, comparou.

Também o saldo orçamental e o equilíbrio orçamental tiveram, no ano passado, valores positivos, respetivamente, na ordem dos 11 milhões de euros e dos 8,4 milhões de euros.

Já o prazo médio de pagamento da câmara municipal, salientou o autarca, “aumentou devido às dificuldades, sobretudo com a inflação”, passando de 49 dias em 2021 para 64 no final do ano passado – ainda assim, “abaixo dos 90 dias”.

Num ano marcado pela nomeação de Évora para Capital Europeia da Cultura em 2027, disse, esta câmara enfrentou um 2022 difícil, com “um processo inflacionista que já vinha da pandemia e que foi agravado posteriormente com a guerra”.

“E isso teve consequências. Por exemplo, a falta de materiais afetou a construção civil e as empreitadas que a câmara lançou. Nalguns casos, nem conseguimos encontrar empreiteiros para as obras que pretendíamos fazer”, frisou Pinto de Sá.

Ainda assim, de acordo com o presidente do município, foram investidos 1,2 milhões de euros na melhoria das condições nas escolas ou 700 mil euros para a criação de um novo acesso rodoviário ao parque industrial, entre outros projetos.

“Salientaria também a área da habitação, porque demos passos importantes, no âmbito do Plano Local de Habitação, com o apoio a 163 proprietários na preparação dos seus processos para conseguirem apoios para reabilitação de casas”, acrescentou.

Admitindo que também “houve aspetos negativos” em 2022, o autarca reconheceu que a câmara não conseguiu ainda dar a resposta aos problemas que existem na rede viária e na área do abastecimento de água.

“Infelizmente, não tivemos disponibilidade financeira para fazer maiores investimentos, mas já começámos a fazer a requalificação da rede viária e da rede de abastecimento de água”, assinalou.

A proposta de prestação de contas do município de 2022 vai ser discutida e votada, na sexta-feira, pela assembleia municipal.

Carlos Pinto de Sá cumpre o terceiro e último mandato na presidência da Câmara de Évora, cujo executivo é composto por dois eleitos da CDU, dois do PS, dois do PSD e um de um movimento de cidadãos.