Drones e aviões ajudam a detetar fugas de água no Alqueva

O Alqueva é um dos dois sítios piloto para teste de um sistema “inovador” para deteção de fugas em grandes redes de destruição de água a partir de vigilância feita com aviões tripulados e drones, foi hoje divulgado.

O sistema está ser testado no âmbito do projeto europeu H2020 WADI, que envolve vários parceiros, como a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), e é financiado pelo Programa-Quadro Comunitário de Investigação & Inovação – Horizonte 2020.

Segundo a EDIA, o Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA), em Portugal, e uma infraestrutura hidráulica em larga escala situada na região de Provença, em França, são os dois sítios pilotos onde a metodologia do sistema está a ser testada.

A região de Provença está a servir para o desenvolvimento da metodologia e a validação da tecnologia e o empreendimento do Alqueva para demonstração operacional do sistema, que vai “permitir aumentar a eficiência do uso da água”, explica a empresa.

“A redução de fugas em grandes redes de distribuição de água foi identificada como um dos desafios do Horizonte 2020 para contribuir para a criação de uma sociedade eficiente em termos hídricos e energéticos e resiliente aos impactos das alterações climáticas”, refere a EDIA.

De acordo com a empresa, através do projeto, desenvolveu-se um sistema “inovador” para deteção de fugas de água em grandes redes de destruição de água e a metodologia WADI “consiste na utilização acoplada de dispositivos óticos de monitorização remota instalados em plataformas aéreas complementares”, ou seja, aviões e drones.

A metodologia permite uma “monitorização precoce” e de “forma precisa” de fugas de água, “mesmo em sistemas de difícil acesso”, e é “uma alternativa mais eficiente e barata aos métodos locais disponíveis e mais fiável do que a deteção por satélites”.

O sistema WADI já foi aplicado para validação preliminar na infraestrutura hidráulica na região de Provença e no EFMA, onde “a plataforma aérea voou sobre três áreas com alto potencial de humidade do solo para deteção de várias fugas de água criadas artificialmente, validando o procedimento de deteção”.

“Os dados das campanhas WADI foram já processados e validados para a determinação de comprimentos de onda otimizados para deteção de fugas”, refere a EDIA, indicando que “o resultado é uma série de mapas de diferentes indicadores que permitem revelar a presença de água (índice de água)”.

Gerido pela EDIA, o Alqueva, que fornece água para rega, abastecimento público e produção de energia, tem 69 massas de água, entre albufeiras e reservatórios, 47 estações de bombagem e duas redes de distribuição de água, uma primária com 380 quilómetros e uma secundária com 1.620 quilómetros.

A infraestrutura hidráulica em larga escala na região de Provença, gerida pela Société Canal de Provence, fornece água para cidades, indústrias e irrigação e é composta por 5.500 quilómetros de canais, galerias e tubos que abrangem uma área de 31.400 quilómetros quadrados.