Distrito de Évora segura três deputados apesar de continuar a perder gente

Terra de vinhos e mármores, o distrito de Évora, com alicerces na cultura e turismo e ‘selo’ da UNESCO, continua a perder eleitores, mas ainda são suficientes para reeleger três deputados nas legislativas de outubro.

Com 136.725 eleitores recenseados atualmente para estas legislativas, segundo a Ministério da Administração Interna – após suspenso o recenseamento eleitoral e quando decorre um período de reclamações e alterações -, Évora perdeu 4.533 eleitores face aos inscritos no dia das legislativas de 2015 (141.258).

Ainda assim, o distrito, o 3.º do país com menos eleitores (só fica à frente dos de Beja e Portalegre), consegue ‘segurar’ os seus três mandatos de deputado que, em 2015, continuaram divididos pelo PS, PSD (coligado com CDS-PP) e CDU, num distrito reconquistado pelos socialistas.

O PS obteve 37,47% dos votos (32,38% a nível nacional), cabendo 23,96% ao PSD/CDS-PP (38,54% no país), segundo o portal de análise de dados estatísticos EyeData, consultado pela agência Lusa.

A CDU registou 21,94% dos votos no distrito, onde, tal como no resto do Alentejo, obtém sempre números mais expressivos do que o total nacional (8,27%).

Num dos distritos menos abstencionistas em 2015 (40,12%), o PS ganhou em 11 dos 14 concelhos, sendo os comunistas os mais votados nos outros três.

No ‘coração’ do Alentejo, Évora é o 2.º distrito mais extenso do país (atrás do de Beja), com 153.703 residentes distribuídos por 14 concelhos, segundo dados de 2018 do EyeData, tendo perdido 13.023 habitantes desde os Censos de 2011 (166.726 habitantes).

Sem que o distrito escape ao envelhecimento populacional característico do Alentejo, o concelho mais populoso é o de Évora (52.664 habitantes), cujo centro histórico é Património da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), desde 1986, e Mourão é o mais despovoado (2.470).

Com mais estabelecimentos de ensino básico (8,52), pré-escolar (7,09) e secundário (1,11) por 10 mil habitantes do que os valores totais do país – respetivamente, 6,69, 5,74 e 0,94, em 2017 -, e com a 2.ª universidade mais antiga de Portugal, Évora não tem, contudo, conseguido impedir a saída dos seus jovens.

O ganho médio mensal dos trabalhadores por contra de outrem cifrava-se em 965,84 euros em 2016 (1.108,56 euros no país) e os desempregados inscritos representavam 4,94% dos residentes com 15-64 anos (abaixo da taxa nacional de 5,54%) em 2018.

O ‘selo’ da UNESCO atrai muitos visitantes a Évora, mas o turismo é uma aposta forte em todo o distrito, que viu nascer, nos últimos anos, várias unidades hoteleiras e de turismo rural.