Covid-19: Centro Dramático de Évora a “tratar do processo” para ‘lay-off’

O Centro Dramático de Évora (), que se “alimenta” do palco e do público, de que a pandemia de covid-19 o obrigou a afastar-se, está a “tratar do processo” para aderir ao ‘lay-off’ simplificado.

A pandemia implicou “o cancelamento e adiamento de espetáculos”, o que acontece também “nas companhias a nível nacional, do Algarve até Viana do Castelo, estamos todos na mesma”, destacou à agência Lusa José Russo, diretor da companhia de Évora.

No caso do Cendrev, com “12 ordenados para pagar todos os meses” e que “têm sido sempre assegurados”, estas “situações de crise obrigam a encontrar soluções pontuais” para “acudir” às pessoas, que é o “que está a ser ponderado” com o caso do regime de ‘lay-off’ simplificado [uma das medidas que o Governo adotou para conter os efeitos da pandemia], frisou o diretor.

“Estamos a ver a possibilidade de, rapidamente, entrar em ‘lay-off’. Como o Cendrev está do ponto de vista económico, temos que recorrer” a esse regime e “lançar mão a tudo o que seja possível”, sublinhou José Russo.

A “questão do ‘lay-off’ obriga-nos a ter algum dinheiro, porque só paga uma parte dos salários. Já estamos a tratar desse processo com o nosso contabilista para ver se conseguimos aceder ao ‘lay-off’ o mais rápido possível, em princípio para a totalidade das pessoas”, vincou.

O responsável garantiu que o objetivo é que “toda a gente continue a receber o seu salário” para que, “logo que seja possível”, a companhia possa “retomar a atividade”.

Devido à pandemia de covid-19, diversas oficinas com os alunos das escolas, previstas para as férias da Páscoa, “não aconteceram, naturalmente”, exemplificou.

Duas novas criações teatrais, uma em coprodução com a companhia BAAL 17, de Serpa, e outra prevista para Évora, em julho, foram canceladas, tendo ainda sido adiados espetáculos, em diversos concelhos do distrito de Évora, com os Bonecos de Santo Aleixo, marionetas tradicionais do Alentejo, num projeto aprovado pela Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC).

“Estamos em casa, como toda a gente”, mas o trabalho dos atores do Cendrev “implica relações sociais, atuações entre as pessoas e não se pode estar a ensaiar cada um na sua casa”, lamentou.

Ainda assim, os elementos da companhia “não têm estado parados”, porque “têm preparado e editado pequenas coisas” que são colocadas ‘online’, na página da rede social Facebook do Cendrev, e “estão a estudar e a analisar textos”, enquanto “está em preparação a programação para a 2.ª metade do ano”, resumiu.

“Neste momento, o Cendrev está a viver com o apoio financeiro que teve da Câmara de Évora, em fevereiro, e com algum dinheiro de coisas que vinham de trás”, relatou.

Tendo ficado de fora, este ano, do financiamento da Direção-Geral das Artes, José Russo disse que, agora, o Cendrev, candidatou-se “a este financiamento do Fundo de Fomento Cultural” do Ministério da Cultura (apoios de emergência lançados no final de março) e “ao apoio que, em boa hora, a Fundação Gulbenkian lançou”, mas disse não ter ainda recebido ainda “qualquer resposta”.

Além do dinheiro, o que falta à companhia é “pisar” o palco e “olhar” o público, porque “o teatro não é uma coisa que possa acontecer ‘online’. O teatro decorre exatamente dessa relação em que o ator está ao vivo a contar uma história e o público está ao vivo a ouvir e a reagir àquela história a ser contada no palco”, afiançou José Russo.