Comerciantes de Montemor-o-Novo descontentes com arrastar de obras

Foto: Jacinta Cornacho

O arrastar das obras de requalificação numa das principais ruas de comércio de Montemor-o-Novo está a deixar descontentes os donos das lojas, devido a “graves prejuízos”, denunciou a associação comercial.

“Os comerciantes estão descontentes e com graves prejuízos e há lojas que já fecharam”, afirmou a secretária-geral da Associação Comercial do Distrito de Évora (ACDE), Mariana Candeias, em declarações à agência Lusa.

Segundo a responsável, as obras na Rua de Aviz, em Montemor-o-Novo, decorrem há quase um ano, estando, desde então, primeiro, parcialmente e, depois, totalmente “fechada ao trânsito”, além de estar “despavimentada e com buracos”, e o novo prazo de conclusão é “fevereiro de 2020”.

“Mas, ainda hoje falei com comerciantes que me dizem que não acreditam” que o prazo seja, desta vez, cumprido, porque “no ponto em que está a obra é impossível estar concluída dentro de dois meses”, referiu.

Integrada no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU) de Montemor-o-Novo, a empreitada em causa, com financiamento comunitário, abrange também as ruas das Escadinhas, Olivença, São Miguel e do Calvário, incluindo o muro do Jardim Público.

Contactada pela Lusa, a presidente da Câmara de Montemor-o-Novo, Hortênsia Menino (CDU), admitiu que existem “alguns atrasos por circunstâncias imprevistas”, as quais “foram devidamente documentadas e essa fundamentação foi apresentada ao município”.

“Em face disso, a câmara prorrogou o prazo da sua execução e todas as intervenções estão a decorrer sem que haja, em termos gerais, cortes sistemáticos do fornecimento das infraestruturas”, como água, telecomunicações e energia elétrica, vincou.

A autarca considerou que as intervenções são “fundamentais” para dotar aquela zona da cidade de “condições mais adequadas para moradores, comerciantes e qualquer pessoa”, notando que para que a obra possa ser realizada “foi necessário condicionar a via”.

“Uma intervenção com esta dimensão causa transtornos e constrangimentos”, sublinhou Hortênsia Menino, salientando que o município sempre “procurou enquadrar e explicar, sobretudo nos momentos mais críticos, a intervenção” à população.

Sete comerciantes já entregaram à associação comercial documentos com os prejuízos, quantificados de janeiro a setembro deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, os quais ascendem a “mais de 50 mil euros”, adiantou a secretária-geral da ACDE.

“Há mais comerciantes nesta rua, que é a mais conhecida e movimentada, que não são associados e há mais quatro ruas em obras” observou, realçando que são todos “pequenos comércios que já sobrevivem com pouco lucro”.

Mariana Candeias insistiu que “não tem sido possível a muitos comerciantes desenvolverem o seu negócio, porque as pessoas não vão passar por lama e pelo pó”, salientando que, às vezes, “é preciso cortar a água” do abastecimento público.

A responsável indicou que os donos dos estabelecimentos aguardam que “a câmara faça uma proposta de indemnização” e, se isso não acontecer, ponderam avançar com pedidos de indemnização e, em último caso, com processos em tribunal.

Questionada pela Lusa sobre o eventual pagamento de indemnizações aos comerciantes, a presidente do município limitou-se a dizer que “há necessidade de detalhar essa informação para que, no âmbito do enquadramento legal de intervenção da câmara, possa ser feita essa apreciação”.